Especialista em neurociências, tecnologia educacional e psicanálise da criança e do adolescente palestra a professores, pedagogos e diretores da Rede Municipal de Ensino

Publicado em: 12 de fevereiro de 2026
Texto: Renato Lana de Faria
Imagem: Divulgação
Especialista em neurociências, tecnologia educacional e psicanálise da criança e do adolescente palestra a professores, pedagogos e diretores da Rede Municipal de Ensino

O renomado professor Marcos Raggazzi, que é mestre em Ensino de Ciências (UFOP), com especialidade em Neurociências, Tecnologia Educacional, Psicanálise da Criança e do Adolescente (PUC-MG), palestrou na manhã desta quarta-feira (11), no Cerimonial Santa Joana, para cerca de 1500 profissionais do magistério da Rede Municipal de Ensino. Ele mostrou ao grande público, por meio de uma conversa franca e com a exposição de dados, como e o que fazer para que o aluno possa se sentir motivado a aprender.

O evento, que contou com as presenças do prefeito Dr. Coutinho, seu vice, Beto Vieira, das secretárias de Educação (Semed), Jenilza Spinassé, de Gestão Estratégica (Seges), Jeesala Coutinho, além de representantes do Sicreddi, teve como tema: “cérebro, emoção e relações: como crianças e adolescentes aprendem, se desenvolvem e se comportam”.

Antes mesmo da palestra, todos puderam acompanhar uma bela exibição dos estudantes da Emef Zilca Nunes Vieira Bermudes, Grupo Expressart com o espetáculo ‘Cinderela em tons de resistência’, uma releitura adaptada desse musical, sendo a história reescrita como forma de readequar ao atual momento em que vivemos. Após a bela exibição de dança e canto, o prefeito Dr. Coutinho deu as boas vindas ao corpo do magistério.

“É com muita alegria e orgulho, e com sentimento de gratidão que nos reunimos nesse evento tão importante para o início do ano letivo de 2026. Este não é apenas o anúncio de mais um calendário escolar, e sim, o recomeço de um sonho e a certeza de que vocês farão a diferença na vida de milhares de crianças de nosso município, pois não ensinam apenas conteúdos, formam cidadãos. Nos últimos anos vocês exerceram um trabalho de forma consistente, responsável e com visão de futuro. Uma ótima palestra a todos”, destacou.

A secretária da Semed Jenilza Spinassé externou sua gratidão aos profissionais que conseguiram alavancar o aprendizado no município. “Professores, pedagogos e diretores. Este momento é pra vocês, porque não tínhamos como começar 2026 sem observar cada olhar aqui presente. Quantos momentos virtuais conseguimos realizar, mas nada se compara com essa energia que todos nós estamos sentindo nesse momento. Vocês não têm noção do nosso sentimento de gratidão, entusiasmo e amor por estarmos reunidos nesse espaço. São vocês quem fazem com que nossa educação esteja nesse patamar, e é o nosso dever fazer com que nossos estudantes se sintam cada vez mais motivados a estudarem. Felicidades a todos”, disse.

Cérebro, emoção e relações: como crianças e adolescentes aprendem, se desenvolvem e se comportam
O professor Marcos Raggazzi iniciou seu discurso perguntando à plateia o que é aprender, ou como as crianças e adolescentes aprendem. “Muita gente acredita que aprender é uma coisa, sendo que no fundo, é outra. Nós aprendemos quando estabelecemos conexões nos nossos neurônios. O grande problema é que aquilo que você aprende, não necessariamente fica ‘retido’ na memória. Se os neurônios param de se conectar, a criança perde aquilo que ela aprendeu. De dois em dois anos uma grande quantidade de neurônios morrem porque eles param de se conectar, o que chamamos de poda neural”, explicou.

De acordo com Marcos, essa poda acontece quando os neurônios param de se conectar porque eles perdem suas funcionalidades. “Na prática, aprender significa dizer que a criança vai mudar seu comportamento. Quando ela faz uma prova, reproduz um conhecimento, e se depois de alguns meses ela repete o que fazia antes da prova, significa que ela não aprendeu, e sim que ela reteve uma informação por um determinado tempo, que depois se perdeu porque ela deixou de usar os mesmos neurônios. Ou seja, quando uma criança aprende de verdade, ela muda seu comportamento”, completou.

O especialista em neurociências se interagiu caminhando ao lado do público, mostrando gráficos em um telão que simbolizavam a atividade neural em fases de aprendizado das crianças e adolescentes. Também mostrou diversas formas lúdicas dos professores interagirem com seus alunos, de motivá-los, ou seja, de dar a eles um motivo para agir, algo que vai muito além de métodos tradicionais, como cálculos matemáticos usando apenas números, e não desenhos e cores.

Ele reforçou ainda que a repetição ajuda e muito na fixação de informações, mantendo ela retida por mais tempo. “Se eu trago uma informação que não é importante para o aluno, ele vai simplesmente jogar fora. Por isso que nós professores precisamos planejar nossas aulas para que as informações passadas não sejam descartadas. Essa chance é muito grande quando a aula estiver muito distante da realidade da criança”, afirmou.

Marcos também contou a história de vida de sua família, de suas dificuldades, de suas conquistas, do seu carinho por um professor que teve, e que de tão especial que foi em sua trajetória, passou a usar seu sobrenome, Raggazzi. Ele também reforçou a ideia de que sentimentos como a emoção e o prazer funcionam como motivação, sendo a atenção o principal prazer. “Vocês não imaginam o que uma criança é capaz de fazer para receber sua atenção. Temos que entender que aquelas que acreditamos ter várias entidades em seu corpo, na verdade, só querem nossa atenção. Temos que entender que nossa maior motivação é acreditar que teremos uma bela recompensa, que é quando a aula é considerada incrível”.

Por fim, os profissionais do magistério aprenderam que as várias portas que se abriram para o palestrante, que em sua carreira já se encontrou com os maiores pensadores do Brasil para debater o futuro da educação no Brasil, também podem ser abrir pra eles e para seus alunos. 

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