A Lente da Inclusão: formação capacita professores a ressignificar a prática na Educação Especial por meio da Arte e do Movimento

Publicado em: 11 de setembro de 2026
Texto: Renato Lana de Faria
Imagem: Divulgação
A Lente da Inclusão: formação capacita professores a ressignificar a prática na Educação Especial por meio da Arte e do Movimento

A Prefeitura de Aracruz, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), promoveu, nos turnos matutino e vespertino desta quinta-feira (10), no Auditório do Polo UAB, no Centro, uma formação destinada aos professores de Educação Física e Arte, com o objetivo de promover a ressignificação das práticas pedagógicas na Educação Especial por meio da Arte e do Movimento. O 4º Encontro Formativo da Rede Municipal de Ensino foi mediado pela técnica pedagógica do Setor de Educação Especial Inclusiva da Semed, Jesiane Pandolfi, e pelo professor formador Thierris Borlini Bandeira.

Jesiane Pandolfi iniciou sua apresentação provocando os professores com uma pergunta considerada fundamental para a perspectiva inclusiva: “Como o aluno participa?” Segundo ela, a inclusão não se resume à presença física do estudante no ambiente escolar, mas está relacionada à possibilidade efetiva de participação. “A Educação Especial é uma modalidade de ensino voltada ao atendimento de estudantes com deficiência e transtornos. Seu foco está na garantia de direitos e no Atendimento Educacional Especializado (AEE). Já a Educação Inclusiva está relacionada a um paradigma educacional, pois a escola inteira precisa se adaptar para eliminar barreiras, com foco no letramento, no raciocínio e na organização acadêmica de todos os alunos”, explicou.

Um dos desafios vivenciados no cotidiano escolar ocorre quando uma criança apresenta comportamentos como gritar, recusar-se a copiar do quadro, não obedecer, bater ou fugir. Diante dessas situações, a formação propôs uma reflexão sobre o que pode estar por trás dessas manifestações. "Talvez estejamos olhando apenas para a ponta do iceberg: aquilo que vemos, como a birra ou o grito. E o que não vemos? Dificuldades de linguagem, sobrecarga sensorial, ansiedade, medo de errar, dificuldades nas funções executivas, de autorregulação e motoras. Muitas vezes, esses aspectos não são percebidos imediatamente, mas podem estar relacionados ao comportamento apresentado pelo estudante. Por isso, é importante olhar para além do que está visível e buscar compreender o que aquele comportamento está comunicando”, pontuou Jesiane

Outro importante tópico abordado foi a relação entre comportamento e comunicação. A profissional destacou que comportamentos como a chamada “birra” ou a recusa podem representar, em determinados contextos, uma dificuldade de comunicação ou a ausência de habilidades necessárias para lidar com determinada situação naquele momento. “Entender a mensagem por trás do comportamento é o primeiro passo para ajudar. Por isso, escutar, acolher e compreender transforma comportamentos e abre caminhos para aprender. A sobrecarga sensorial e motora drena a energia cognitiva”, completou Jesiane.

De acordo com o professor formador Thierris Borlini Bandeira , é possível estabelecer uma analogia entre uma boa aprendizagem e a construção de uma casa. “Nessa analogia da construção, pensamos em uma casa frágil, que pode ser derrubada pelo vento. Já uma casa forte possui uma base que a sustenta. Do mesmo modo, a aprendizagem precisa de uma base sólida para oferecer segurança e proteção, permitindo que a criança supere desafios”, afirmou.

A conexão entre família e escola
Aos professores de Arte e Educação Física também foi apresentada a importância da conexão entre família e escola, compreendida como uma ponte construída por meio do diálogo e das relações de confiança. Nessa perspectiva, família e escola representam partes fundamentais de uma rede de apoio ao estudante.

Foi abordado ainda o conceito de “mochila invisível”, que representa experiências e situações que o estudante pode carregar consigo e que interferem em sua aprendizagem, no comportamento e na interação com o ambiente escolar, como transtornos, luto, violência, bullying, privação do sono, rejeição e baixa autoestima. As relações positivas entre professores, estudantes e famílias, especialmente quando construídas desde o início da trajetória escolar, contribuem para a criação de um ambiente mais seguro, acolhedor e favorável à aprendizagem.

Durante o momento formativo, também foram trabalhadas estratégias e práticas para compreender a neurodiversidade e identificar possíveis barreiras à participação dos estudantes, além de ferramentas práticas de autorregulação. As atividades abordaram ainda a relação entre arte e regulação sensorial, bem como a contribuição da Educação Física para a construção de um corpo seguro e para o desenvolvimento de experiências de participação e aprendizagem.

A formação reforçou, assim, a importância de olhar para além do comportamento aparente e compreender o estudante em sua integralidade, reconhecendo que incluir não é apenas garantir a presença, mas criar condições para que cada estudante possa participar, aprender e se desenvolver.

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